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Embora o luto seja um processo muito pessoal e dependa de um conjunto de factores intrínsecos e extrínsecos diversos (ver de que depende a intensidade do luto?), o seu desenvolvimento decorre seguindo um conjunto de fases padronizadas.
Consideram-se três fases fundamentais correspondentes a outros tantos passos a dar para a resolução saudável do luto.
A descrição aqui enumerada é apenas a título indicativo, não significando por isso que todas as pessoas tenham que viver rigorosamente e do mesmo modo as características apontadas em cada fase.
Fases do luto (clique nas fases)
Após a notícia da perda, entramos na primeira fase do luto. É um período em que ocorrem dois tipos de comportamentos que poderão misturar-se ou serem vivos sequencialmente no tempo. São o choque e a negação emocional da perda.
Choque emocional
Decorre de algumas horas a cerca de uma semana e é caracterizado por uma comoção forte com explosões de intensa aflição e raiva. Experimentamos uma excitação muito elevada com o consequente aumento da tensão arterial e do ritmo cardíaco.
Negação emocional da perda
Embora tenhamos consciência racional da morte do ente querido, pois velámos o seu corpo, acompanhámos o seu funeral e visitemos a sua campa, continuamos a senti-lo bem vivo dentro de nós.
Sentimo-lo bem presente no nosso quotidiano, por isso mantemos um comportamento inalterado. Falamos para ele, limpamos os seu haveres e justificamos a sua ausência numa viagem para tratar de assuntos pessoais ou profissionais. Por isso esperamos um seu telefonema e aguardamos o seu regresso.
Estes comportamentos constituem um mecanismo de defesa do organismo que permitem a obtenção do tempo indispensável para nos prepararmos psicologicamente para:
- aceitar que não
poderemos continuar a partilhar
parte da nossa intimidade com a pessoa amada;
- admitir que perdemos a segurança física e emocional que ela nos proporcionava;
- deixar-nos abater e tolerar o elevado sofrimento iminente.
Desorganização emocional (ou reconhecimento emocional da perda)
Quando, ao fim de algum tempo, a fatalidade da perda é aceite emocionalmente, ou seja, quando sentimos que, apesar de todas as esperanças, o ente querido efectivamente nunca mais regressará, entramos na segunda fase do luto.
Iniciamos um período de grande sofrimento, o tal que temíamos, na fase anterior, vir a abater-se sobre nós. Embora seja um sofrimento saudável, nem por isso deixa de ser menos doloroso.
O mundo parece-nos agora completamente vazio e sem interesse. Sentimo-nos amputados, pois falta algo de nós. Vivemos, por isso, em constante agitação e desorientação, sem saber para onde ir e o que fazer.
Emocionalmente sentimos ansiedade, medo, tristeza, agressividade e culpa.
É durante esta fase que ocorrem com frequência episódios depressivos, como o desalento, a tristeza, a irritabilidade, a introversão, o isolamento e as alterações de apetite, de sono e da libido.
Escorregando por um plano inclinado cujo fim não logramos vislumbrar, assusta-nos a ideia de que estes comportamentos negativos e o sofrimento nos acompanharão até ao fim dos nossos dias. E como a intensidade é tão forte desesperamos imaginando-nos a enlouquecer.
Reorganização emocional (ou aceitação emocional da perda)
Continuando a nossa caminhada do luto, a dado momento sentimos que afinal a queda tinha um limite. O plano inclinado atinge o seu termo e tomamos consciência de que esgotamos toda a angústia e raiva que vínhamos vivendo.
A perda é aceite emocionalmente
É chegada a hora de empreender o trilho que nos leva à reabilitação plena com a vida.
A dor vai-se extinguindo aos poucos. Passamos a identificar-nos de modo saudável com a pessoa perdida, ou seja, a sua memória deixou de ser obsessiva e deixou de nos provocar desespero.
Ficamos em paz connosco próprios e com o nosso passado e, em consequência, começamos a estabelecer novos vínculos.
Uma vez terminada esta fase regressamos à vida psicológica normal.