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Questões sobre o luto

Luto e doença (clique na pergunta)

É o luto uma doença?

Que alterações emocionais nos provoca o luto?

Quais os sintomas clínicos do luto?

O luto pode conduzir à loucura?

É aconselhável tomar antidepressivos durante o luto?

 


É o luto uma doença?

Embora provoque alterações profundas no nosso comportamento, de tal modo que não nos cheguemos a reconhecer nos actos que durante o seu curso praticamos, o luto não é uma condição patológica.

Implica muito sofrimento, mas é um processo saudável porque conduz a uma reconciliação connosco próprios, com o nosso passado e com o mundo que nos rodeia.

Para que se realize, exige tempo, mais ou menos longo consoante a intensidade do luto.
Não sendo uma doença é inútil ou mesmo prejudicial interferir a nível médico no seu progresso, não devendo ser sujeito a tratamento médico.


Que alterações emocionais nos provoca o luto?

É normal, e não devemos tentar racionalmente contrariar estes comportamentos, que a pessoa em luto evidencie:

   - um desânimo profundamente penoso;
   - um completo desinteresse pelo mundo;
   - a perda da capacidade de amar;
   - obsessão na pessoa perdida.


Quais os sintomas clínicos do luto?

Não sendo uma doença, nem particularmente uma depressão, quando estamos em luto revelamos sintomas semelhantes aos que ocorrem quando somos acometidos por enfermidades diversas.

Assim, são visíveis:

   - ao nível de sentimentos

      tristeza, raiva, culpa e auto-recriminação, ansiedade, solidão, fadiga, desamparo,
      choque, anseio, emancipação, alívio e estarrecimento.
   -  ao nível de sensações físicas
      vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, hipersensibilidade ao barulho,
      sensação de despersonalização, falta de ar, fraqueza muscular, falta de energia,
      boca seca.


O luto pode conduzir à loucura?

É comum, no decurso do processo do luto saudável, sentirmos que o sofrimento e a perturbação física e anímica são tão intensos e persistentes que chegamos a admitir que se manterão para o resto do vida e, como são insuportáveis, acabarão por nos tirar a própria razão.

Tal, assim nunca acontece. Com o tempo, acabamos por superar esta difícil fase do luto e redescobrimos um novo sentido para a alegria de viver.


É aconselhável tomar antidepressivos durante o luto?

O luto é um processo saudável. Contudo, durante o seu curso vivemos episódios depressivos, muito embora não caiamos em depressão, no sentido médico do termo.

Quando, face ao luto, para tentar obviar as perturbações emocionais sentidas iniciamos a medicação com antidepressivos é muito corrente surgirem as seguintes consequências negativas:
   - serem mascaradas as vivências emocionais da perda, agindo de forma indiferente
     como se nada nos tivesse acontecido;
   - não ser assimilada a libertação dos vínculos, não sentido primeiro a angústia e
     depois a pacificação em relação ao ente querido;

   - tornar caótico o luto após o “desmame” do medicamento, surgindo completamente
     confuso e desorganizado uma vez que não foram vividas de forma coerente as
     suas fases.