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Família e luto (clique na pergunta)
É diferente o luto consoante os familiares perdidos?
A perda de filhos leva a um luto mais difícil que os restantes?
É diferente o luto consoante os familiares perdidos?
Sendo o luto um processo intimista, a profundidade da sua vivência depende exclusivamente de factores pessoais (ver intensidade do luto).
Na família, com excepção do cônjuge, todos os restantes elementos não foram escolhidos. Têm, por isso, a sua personalidade que se poderá ajustar em maior ou menor grau à nossa. Sublinhe-se, todavia, o papel determinante que os pais desempenham no período crucial da nossa construção emocional: a infância.
Assim, a intensidade do luto por pai/mãe, marido/mulher ou filho/filha (ver perda de filhos) depende apenas do grau de apego que tínhamos em relação ao familiar perdido e não do papel que desempenha no seio da família.
A perda de filhos leva a um luto mais difícil que os restantes?
A sociedade ocidental vive em função do futuro. Consideramos o presente como um passo para o amanhã e o passado como um armazém de memórias, a maioria das quais com pouco ou nenhum valor. Nesse contexto, prestamos toda a atenção às crianças e jovens, projectando neles muito do que não fomos capazes de alcançar, e, em oposição, negligenciamos os cuidados e respeito com os idosos.
Neste pensamento dominante, perder o pai, sobretudo numa idade avançada, é tomado como o apagar natural de um pouco do nosso passado. Sendo esperado, aceita-se com naturalidade.
Já perder o cônjuge é admitido como sendo o desfazer de parte do nosso presente. Todavia, sobretudo até à meia-idade, após percorrido o luto, é corrente estabelecer novos vínculos.
A perda do filho é assumida como a perda do futuro, algo de “impossível” na nossa cultura. O luto decorrente pode permanecer durante toda a vida, não com a angústia e o sofrimento verificados nos primeiros tempo mas com nostalgia e saudade.
A expectativa dos pais em relação aos filhos é a de, apesar dos “cadilhos”, constituírem uma fonte de alegria, felicidade e confiança no futuro. E essa esperança é diferente no pai e na mãe porque são diferentes as suas histórias de vida e as suas personalidades.
Quando se perde um filho ou alguma expectativa em relação a ele o luto que o pai e a mãe vivem são obrigatoriamente diferentes. Durante o processo buscam de quem lhes confere segurança – o cônjuge – apoio para a aflição em que se encontram. No entanto, é recíproco o desejo e semelhante a indisponibilidade para ajudar.
Então, todos as “poeiras” de desinteligência que ao longo da relação foram, sem consequências, sacudidas para baixo do tapete, surgem agora como um pântano movediço e incontornável.
Mais de metade dos casamentos onde ocorrem perdas de ou com filhos acabam por se dissolver.