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Causas de luto (clique na pergunta)
Só vivemos o luto pela morte de pessoas amadas?
A separação conjugal ou o divórcio provocam luto?
A emigração e o encarceramento originam luto?
O afastamento de alguém com conduta não ética ou imoral gera luto?
A perda de uma fantasia de afecto produz luto?
A perda de posição social é causadora de luto?
Fazemos luto quando não conseguimos realizar as nossas competências?
A perda de objectos ou animais de estimação motiva o luto?
Só vivemos o luto pela morte de pessoas amadas?
Embora seja mais corrente associarmos o luto à morte de entes queridos, na realidade outras perdas emocionais profundas, ou, até, por vezes, menos graves, provocam em nós comportamentos semelhantes aos vividos em consequência da morte de alguém a quem nos unia laços de amor ou afecto.
A separação conjugal ou o divórcio provocam luto?
Quando alguém que é objecto do nosso amor conjugal deixa de estar ao nosso alcance, em consequência do deslaçar dos afectos que nos unia, registamos comportamentos estranhos em relação a nós próprios, a esse alguém que amávamos (ou que ainda amamos) e às restantes pessoas que nos rodeiam. São, afinal, manifestações de luto as que vivemos e nos atormentam.
A emigração e o encarceramento originam luto?
Embora sabendo que o amor que nos une não está em causa, quando nos afastamos de alguém de forma prolongada sentimos saudade, ou seja, tristeza pela distância que nos separa e desejo de a rever. O nosso comportamento altera-se também nestes casos, revelando o luto que trilhamos.
O afastamento de alguém com conduta não ética ou imoral gera luto?
Quando amamos alguém e descobrimos que a nossa relação não tem futuro devido a atitudes de toxicodependência, alcoolismo, prostituição ou marginalidade sofremos igualmente com o afastamento e com a obrigatoriedade de desconstruir todo o edifício de afectos relacionados com essa pessoa. Esse é, também, um processo de luto.
A perda de uma fantasia de afecto produz luto?
Quando por razões não desejadas somos confrontados com o aborto de um feto gerado por nós ou quando o filho que nasce é portador de uma malformação física ou doença mental, sentimos uma imensa frustração. Todas as expectativas de alegria, felicidade e confiança no futuro que tínhamos criado com a sua concepção se desmoronam de forma abrupta. O sentimento de diferença em relação aos outros, de não conseguirmos o elementar da vida de um homem ou uma mulher, o instinto reprodutivo, isola-nos. Também, o vivermos com um filho que não evoluirá como as restantes crianças à sua volta, mantendo-se sempre dependente de alguém, provoca-nos uma amargura profunda.
Em ambas as situações há um longo caminho de luto a percorrer.
A perda de posição social é causadora de luto?
Sempre que somos alvo de desqualificação moral, por aviltamento ou humilhação social, o nosso amor-próprio fica diminuído e, em consequência, necessitamos de fazer o luto da perda significativa que sofremos.
Do mesmo modo acontece quando somos sujeitos a desclassificação do estatuto profissional, em consequência de despromoção ou do próprio desemprego. Vivemos, então, uma desconfiança em relação às nossas competências e, se for o caso, à capacidade de conseguirmos rendimento para nós próprios e para sustentar a nossa família.
Fazemos luto quando não conseguimos realizar as nossas competências?
O investimento realizado na aquisição de aptidões para o exercício de uma profissão, desde o estágio numa empresa à obtenção de uma licenciatura, mestrado ou doutoramento, é hoje em dia muito correntemente frustrado.
Um jovem que ambicionava ser professor e obteve habilitações académicas para tal e vê-se obrigado a aceitar emprego de balconista numa loja de brinquedos ou de caixa num hipermercado vê-se acometido por duas perdas: de expectativas de posição social e de desempenho de competências.
A superação de ambas as privações terá que ser realizada através de lutos específicos.
A perda de objectos ou animais de estimação motiva o luto?
O nível de afeição que desenvolvemos com objectos ou animais é de uma dimensão intrinsecamente diferente da que nos leva a estabelecer laços de afecto com pessoas.
No entanto, quando nos vemos desprovidos de certas jóias ou outras coisas que herdámos ou adquirimos, ou quando somos privados de animais domésticos, de recreio ou de trabalho, sentimos reacções semelhantes às vividas num processo de luto.